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sexta-feira, 24 de julho de 2015

O Naufragio


Ó tu meu pai. Ó tu meu pai.
Porque me fazes sentir tão só;
E de tão só me fazes sentir nestas profundezas
Eras tu, as noites mais longas dos ares mais respirados,
E as ondas mais inquietas, que a inquietação.
E se for sonho, se for sonho o sonho mais estranho;
A dor que a dor me mata. Os oceanos mais bravos que as gravuras,
Mais longínquas que os barcos que se perdem no naufrágio.
E os naufrágios mais sombrios dos sonhos do meu anjo.
Nestas terras, nestes exemplos, mais profundos,
Que os mares mais agrestes que a minha saudade!

Se te achas, se tu achas eu não sei, o que achar.
Se tu sentires que eu não mereço o teu belo e eterno amor.
Ó tu, eu sei que o teu amor não é amor, é um vazio prazer;
Causado pelo o naufrágio perdido em terras longínquas,
Só a noite te acompanha, o amor que sente em deveras sentiste,
As sombras do teu olhar.

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